O BMC G3 é um CPAP automático com umidificador acoplado de série, filtro lavável reutilizável e rampa de até 60 minutos, uma das maiores do mercado. Ele declara até 28 decibéis, contra os até 38 da maioria dos aparelhos, e foi o mais silencioso que eu já testei. Nem toda versão vendida no Brasil tem conectividade: pergunte antes de comprar.
Fazia tempo que eu queria trazer esse review, mas eu estava esperando o momento de dormir com o aparelho para falar da minha própria percepção, não da ficha técnica. E confesso que eu tinha preconceito, porque a gente se acostuma com as marcas mais conhecidas aqui no Brasil. Me surpreendi, e vou te contar exatamente em quê.
Sou a Bianca, fisioterapeuta respiratória, há mais de 15 anos acompanhando adaptação ao CPAP.
Ficha rápida
| Tipo | CPAP automático |
| Umidificador | Acoplado de série, não é opcional |
| Filtro | Lavável e reutilizável |
| Conectividade | Wi-Fi, para o sistema PAP Link. Nem todo modelo vendido no Brasil tem |
| Rampa | Automática ou até 60 minutos |
| Ruído declarado | Até 28 dB |
| Alimentação | Bivolt, na tomada |
| App do paciente | PAP Link |
| Extra | Módulo de oximetria acoplável |

Quem é a BMC
A BMC é a segunda maior empresa de venda de CPAP no mundo e a primeira na China. Ainda não é tão conhecida no Brasil, mas fabrica a linha inteira: CPAP, BiPAP e máscaras.
Isso importa na hora de comprar. Marca pouco falada por aqui não quer dizer marca pequena, e vale dar a oportunidade de conhecer equipamentos que não são os do burburinho de sempre.
O que vem na maleta
O G3 chega numa maleta de transporte, com compartimento para cada peça. Em cima ficam os manuais do equipamento. Dentro dela:
- o aparelho, já com o umidificador encaixado
- a traqueia
- a fonte de energia, bivolt como a dos outros CPAPs
- o filtro de pólen, que fica atrás do aparelho
Como em todo CPAP, a máscara não vem junto. Ela se escolhe pelo seu rosto, e o guia de tipos de máscara ajuda a entender qual formato combina com o seu jeito de dormir.
A traqueia tem as duas pontas com conexão universal, então serve em qualquer aparelho e qualquer aparelho serve nela. Se quiser, dá para trocar pelo tubo aquecido, que é acessório à parte e mantém a umidificação mais estável, evitando bastante ressecamento de boca.
O filtro lavável muda a conta
Essa é a diferença mais concreta do G3 para as outras marcas. O filtro que vem com o equipamento é lavável e reutilizável.
Nas outras marcas o filtro é aquele branquinho, ultrafino, que a cada dois meses vai fora e você compra outro. O do G3 dura muito mais tempo, e isso vira custo-benefício de verdade a médio e longo prazo, porque filtro é despesa que se repete pela vida inteira do tratamento.
Na tela dá para programar lembretes de troca dos acessórios. As referências que eu uso: filtro de ar a cada seis meses ou um ano, traqueia de um ano a um ano e meio, máscara na mesma faixa da traqueia.
Como funciona o umidificador
No G3 o umidificador não é opcional, já vem acoplado, e o sistema de encaixe é diferente dos outros. Eu coloco a mão espalmada em cima, aperto, e ele sai. Para pôr de volta, encaixa na base e clica.
Parece detalhe, mas não é: quem tem dificuldade de manusear coisa pequena com a ponta dos dedos consegue tirar e recolocar a câmara de água sem depender de pinça fina. Foi pensado para isso.
Três regras da água, que valem para qualquer CPAP:
- Água destilada, sempre.
- Enche até a metade, nunca até o máximo.
- Troca com frequência. Água parada por muitos dias é fonte de contaminação por bactéria.
Quanto tempo a água dura depende da sua região, da umidade relativa do ar e do nível de umidificação que você configurou. Enchendo até a metade, você é obrigado a trocar mais vezes, que é justamente o que a gente quer.
O que dá para configurar na tela
Em cima fica o botão de liga e desliga, que inicia e encerra a terapia. O botão redondo rola a tela e seleciona, e o botão com a casinha volta para o início.
No menu do paciente:
- Pré-aquecer. Não é obrigatório. Liga o umidificador cerca de 30 minutos antes, e quando você deitar a umidade já está regulada. Vale para quem quer umidificação mais estável desde a primeira respiração.
- Acessórios. Só para programar os lembretes de troca. Você não precisa informar modelo de filtro, tubo ou máscara.
- Máscara. Aqui sim: facial (oronasal), nasal, almofada (pillow) ou outro modelo. Isso define quanto vazamento é aceitável no seu caso.
- Teste de máscara. Com a traqueia conectada e a máscara no rosto, o aparelho manda pressões variadas para conferir se a vedação ficou boa.
- Umidificador. Automático, de 1 a 5, ou desligado.
- Rampa. Automática ou até 60 minutos, um dos maiores tempos de rampa do mercado.
- Traqueia. O diâmetro em milímetros do tubo que você usa. Se for o original, deixa como veio de fábrica.
- Tela. Brilho, luz de fundo e idioma.
Como ler o relatório na própria tela
Uma coisa boa do G3: você acorda e já vê o resultado da noite sem abrir aplicativo nenhum. O relatório traz a última noite, a última semana, o último mês, 90 dias, 182 dias ou o último ano.
O que aparece ali:
| Dado | O que ele diz |
|---|---|
| Dias de uso e dias acima de 4 horas | 4 horas por noite é o mínimo que a gente considera para garantir proteção cardiovascular e tratar a apneia de verdade |
| Média de utilização | Quanto tempo, em média, você dormiu com o aparelho |
| Pressão média e pressão em 95% do tempo | Onde o aparelho trabalhou na maior parte da noite |
| IAH | O índice de apneias e hipopneias por hora, o mesmo da sua polissonografia |
| IAC | Índice de apneia central. Este a gente quer o mais perto de zero possível |
| Vazamento médio e em 95% da noite | Em torno de 20 a 22 litros por minuto ainda está aceitável. Acima disso é vazamento excessivo e o tratamento precisa de ajuste |
Para um relatório mais completo, ou para mandar ao seu clínico, existe o iCode QR no menu: ele gera um QR Code que você lê pelo aplicativo PAP Link, o app do usuário da BMC. O PAP Link também tem a versão de software e a de acompanhamento clínico.
O G3 tem Wi-Fi?
Depende do modelo, e essa é a pergunta mais importante deste review.
O G3 manda os dados para o sistema clínico pelo Wi-Fi da sua casa. Você entra nas configurações, seleciona a sua rede, digita a senha e espera logar. A partir daí o clínico recebe os relatórios, e o caminho é de ida e volta: dá para ajustar pressão mínima, máxima, nível expiratório e umidificador à distância, direto pelo PAP Link com acesso clínico.
Só que nem todos os G3 vendidos no Brasil têm conectividade. Os modelos mais recentes têm vindo com ela, mas isso não é garantia. Então, na hora do orçamento, faça a pergunta em voz alta: este equipamento tem conectividade?
Se tiver, a configuração e o acompanhamento ficam muito mais simples, ainda mais para quem mora longe de um clínico. É a mesma vantagem que eu destaco no review do AirSense S10, com a diferença de que o S10 envia por sinal de celular e o G3 depende de Wi-Fi.
O módulo de oximetria
Esse é um ponto que eu vejo como positivo, principalmente para quem faz diagnóstico, titulação e acompanhamento.
O módulo é um cabo com sensor de dedo que se conecta atrás do CPAP. Assim que você acopla no dedo, a tela do aparelho passa a mostrar quatro círculos: a pressão em que ele está trabalhando, a sua saturação de oxigênio, a sua frequência cardíaca e o tempo de rampa. Tudo em tempo real, e os dados detalhados ficam no relatório.
O sensor do G3 me pareceu mais estável no dedo do que os que eu costumo usar, com abas de proteção lateral, então tem menos risco de cair durante a noite.
Serve para titulação de CPAP e para ver se o aparelho está de fato limpando as apneias e corrigindo a queda de oxigênio. Não é um acessório que o paciente costuma ter em casa, é mais para clínica, mas eu queria registrar porque acho importante.
Como foi dormir com ele
Vamos à parte que eu esperei para escrever.
O ruído. A maioria dos CPAPs declara até 38 decibéis. O G3 declara até 28. Eu achei que essa diferença não fosse pesar tanto, e pesa. De todos os equipamentos com que eu já dormi, o G3 foi o mais silencioso, e eu não esperava isso.
A umidificação. Ficou estável a noite inteira, no nível 5, e eu não tive ressecamento de boca.
E o teste que virou o título do vídeo. Alguns pacientes já tinham me contado que, à noite, tiraram a máscara para conferir se o aparelho estava mesmo ligado. Eu nunca tinha passado por isso: com os outros CPAPs eu sempre percebo algo diferente na respiração. Com o G3 estava tão suave que eu tirei a máscara do rosto para ver se ele estava funcionando. Para mim, isso é o ápice do conforto.
E o M1 Mini, o portátil da BMC?
Eu tenho pacientes que usam o M1, então vale pincelar aqui, mesmo que ele mereça um vídeo próprio.
O M1 Mini não tem tela: a configuração é toda pelo PAP Link, e em cima existe só um botão touch de liga e desliga. Funciona ligado na energia elétrica e usa traqueia convencional, a mesma do seu CPAP de casa.
Isso traz uma vantagem que nem todo portátil tem: qualquer modelo de máscara serve. Ele é aberto para qualquer interface, e quem já pesquisou mini CPAP de viagem sabe que vários prendem você à máscara da própria marca.
Pesa 360 gramas e tem a opção de umidificação passiva, no mesmo sistema dos filtros umidificadores. Para viagem, acaba sendo bem mais leve e prático que um CPAP convencional.
Vale a pena?
Vale, e eu recomendaria para dois perfis.
O primeiro é quem tem muito receio de barulho. Se o que te trava é a ideia de dormir ao lado de uma máquina fazendo ruído a noite toda, o G3 responde essa objeção melhor do que qualquer aparelho que eu testei.
O segundo é quem está olhando custo-benefício com calma: umidificador de série, filtro lavável, rampa longa e garantia de uma empresa com longa estrada no mercado.
Ele está na lista de produtos que eu recomendo, junto com as máscaras e acessórios. E antes de fechar compra, passe pelo guia de compra de CPAP e pelo artigo que explica como o CPAP funciona, que resolvem a maior parte das dúvidas antes do orçamento.
Ficou com dúvida sobre o G3 ou sobre a configuração do seu aparelho? Me chame no WhatsApp que eu te ajudo, inclusive por telemonitoramento, de qualquer estado ou país.