Existem 5 tipos de máscara de CPAP: nasal, oronasal, híbrida, pillow e full face. A escolha depende da anatomia do seu rosto, da pressão que a sua terapia exige e da sua sensação ao provar. E provar é a palavra-chave: de preferência deitado, com o aparelho ligado, na posição em que você dorme.
Máscara de CPAP e de BiPAP são diferentes?
Não. As máscaras de CPAP e de BiPAP são as mesmas, não existem modelos exclusivos para cada equipamento. Tudo o que explico aqui vale para os dois.
Dos 5 tipos, a full face é a exceção: cobre o rosto inteiro, é de uso praticamente hospitalar e hoje pouco usada. Muito dificilmente você vai precisar de uma em casa. Daqui em diante, eu foco nos 4 tipos que aparecem de verdade na rotina de quem trata apneia do sono.
Quem dorme de boca aberta precisa de máscara oronasal?
Esse é o mito que eu mais quebro no consultório. O paciente chega e diz: “Doutora Bianca, eu durmo com a boca aberta, eu preciso de uma máscara oronasal.” E isso não é verdade.
Quando tratamos a apneia do sono com o CPAP, todo o suporte ventilatório entra pelo nariz. Com o tempo, manter a boca fechada vira uma condição natural. Então, se você respira de boca aberta durante a noite, não se preocupe: provavelmente uma máscara só nasal resolve.
E tem mais: mesmo dentro de uma oronasal é possível abrir a boca. Quando isso acontece, o ar é projetado pela boca e pode gerar mais apneia residual, as apneias que continuam mesmo com o aparelho ligado. A pessoa também acaba engolindo ar, a chamada aerofagia, e acorda com o estômago dolorido, distendido, inchado. Muito ruim.
Como é a máscara oronasal e quando ela faz sentido?
A oronasal cobre boca e nariz e existe em 3 formatos: o que pega somente nariz e boca, o que sobe até um apoio na testa, ganhando 1 ponto a mais de fixação, e a de mínimo contato, que para abaixo do osso nasal: narinas apoiadas em 2 orifícios, boca em 1 orifício maior.
Ela tem pontos positivos, sim. Alguns pacientes se sentem mais seguros e firmes com a zona maior de contato. E o espaço morto maior, a área da almofada onde o ar se dissipa antes de chegar à via respiratória, dá a sensação de uma respiração mais leve.
Os pontos negativos: quem tem tendência à claustrofobia se sente muito preso, porque ela pega uma parte grande do rosto. É mais difícil falar com ela. E existe mais risco de broncoaspiração, que é quando conteúdo da boca acaba indo para a via respiratória. Some a apneia residual e a aerofagia, e é preciso pesar e ponderar antes de escolher.

Máscara nasal: para quem ela é indicada?
A nasal clássica tem a almofada sobre o nariz e um apoio de testa. Os modelos mais recentes dispensam o apoio de testa: só a concha do nariz, menores e mais confortáveis. A conexão da traqueia costuma ficar na frente do rosto, mas há modelos com conexão em cima da cabeça.
Os pontos de fixação variam: 4, sendo 2 de cada lado, ou apenas 2, o que interfere na aderência ao rosto e na facilidade do manuseio.
Pontos positivos: ela permite falar, exige uma pressão de tratamento menor que a oronasal e gera menos apneia residual.
Pontos negativos: algumas pessoas ainda a consideram grande, e ela pode gerar lesões na região óssea acima da narina ou na pele. Se aparecer machucado, não ignore: eu falo sobre isso em complicações do uso de CPAP.

O que é uma máscara híbrida?
Híbrida é a máscara em que dá para trocar somente a almofada nasal. A mesma armação aceita uma almofada que apenas apoia o nariz, sem entrar nas narinas, ou uma almofada pillow, que entra nas 2 narinas.
A DreamWear, da Philips, é um exemplo conhecido: vem com a almofada que apoia sob o nariz, então ainda a consideramos uma máscara nasal, mesmo sem aquela concha grande por fora. Trocou a almofada, ela se transforma numa pillow.
Máscara pillow: mínimo contato para quem?
As pillows são as menores máscaras que existem. O contato é mínimo de verdade: face completamente livre, nenhum apoio de testa e fixação por apenas 2 pontos, na lateral do rosto. Os tamanhos de almofada já vêm dentro da embalagem, e você mesmo troca entre P, M, G ou GG.
Pontos positivos: dá para ler, usar óculos e conversar com ela no rosto. Você se mexe, se vira na cama e ela praticamente não desloca. O vazamento de ar é mínimo na maioria dos casos.
Ponto negativo: eu sempre digo que pillow é 8 ou 80. Ou a pessoa adora, porque é pequena, leve e parece que não tem nada no rosto, ou se sente agoniada, com a sensação de narinas obstruídas. Ela também tolera no máximo cerca de 13 a 14 cm de água, a medida da pressão de ar que o aparelho envia. Se a sua terapia pede mais que isso, ela não é indicada. Para a grande maioria dos pacientes, porém, é uma excelente escolha.

Nasal, oronasal ou pillow: qual escolher?
Não existe a melhor máscara, existe a máscara certa para o seu rosto e para a sua terapia. O que é bom para o seu vizinho não necessariamente vai ser bom para você.
| Tipo | Para quem | Pontos positivos | Pontos negativos |
|---|---|---|---|
| Nasal | A maioria dos pacientes, inclusive quem dorme de boca aberta | Permite falar; exige menor pressão de tratamento; gera menos apneia residual | Algumas pessoas ainda a acham grande; pode gerar lesões acima da narina ou na pele |
| Oronasal | Quem se sente mais seguro com uma zona maior de contato | Sensação de firmeza; espaço morto maior dá impressão de respiração mais leve | Sensação de prisão em quem tem claustrofobia; mais difícil falar; mais risco de broncoaspiração, apneia residual e aerofagia |
| Pillow | Quem quer o rosto livre e usa pressão de até cerca de 13 a 14 cm de água | Face livre; dá para ler, usar óculos e conversar; liberdade de movimento na cama; vazamento mínimo | É 8 ou 80: parte das pessoas sente agonia e narinas obstruídas; não atende pressões mais altas |
Máscara se escolhe provando. De preferência deitado, com o seu CPAP ligado, na posição em que você dorme. Uma coisa é provar no consultório, outra é a sua cama, a sua rotina de sono.
Se você quer ajuda para decidir antes de comprar, a minha prescrição de compra existe para isso: eu indico o equipamento e as opções de máscara para o seu caso, sem vínculo com nenhuma loja.
Como saber se a máscara está no tamanho certo?
Cada tipo tem pontos anatômicos de referência. A oronasal deve ir do sulco mentoniano, aquela dobrinha entre o queixo e o lábio, até o osso nasal. Se ela desce para baixo do queixo ou pega metade da boca, o tamanho não está adequado. A nasal deve cobrir do sulco nasogeniano, a região entre a boca e o nariz, até o osso nasal. Se pega o lábio ou sobe em direção à testa, é hora de trocar o tamanho.
Todas as máscaras vão do P ao GG, algumas do PP ao GG, e o tamanho da almofada varia conforme a anatomia do rosto. O manual de tamanhos vem em cada embalagem. Prove, sinta no rosto e escolha o ideal para você.
Sobre o material: a maioria das almofadas é de silicone cirúrgico, leve, maleável e com vedação excelente; alguns modelos vêm com contato em gel, bem confortável e ajustado à face.
Perguntas frequentes
Posso usar a mesma máscara no CPAP e no BiPAP?
Pode. As máscaras são as mesmas para os 2 equipamentos. O que muda é o aparelho, não a máscara.
Qual é a menor máscara de CPAP que existe?
A pillow. A almofada entra nas 2 narinas, a face fica livre e a fixação tem só 2 pontos, na lateral do rosto.
Máscara pillow serve para qualquer pressão?
Não. Ela tolera no máximo cerca de 13 a 14 cm de água. Terapias com pressão maior pedem outro tipo, como a nasal.
Preciso de uma máscara full face em casa?
Muito dificilmente. Ela cobre o rosto inteiro e é de uso praticamente hospitalar. Em casa, você vai encontrar a nasal, a oronasal, a híbrida e a pillow.
A máscara é só o começo da adaptação. Se ninguém te explicou o resto do caminho, continua comigo em por que ninguém te ensinou a usar o CPAP. Conte comigo.